RAZÕES DE SAÚDE PARA O VEGETARIANISMO

 Foto: Getty Images

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RAZÕES DE SAÚDE  PARA O VEGETARIANISMO

A opção por uma alimentação vegetariana equilibrada é considerada, desde há anos e por várias organizações e instituições, como uma escolha saudável e benéfica, já que ajuda a prevenir e a tratar várias doenças e problemas de saúde.

No Journal of The American Medical Association refere-se que “uma dieta vegetariana pode prevenir de 90 a 97% de todas as doenças cardíacas.”
O American National Institute of Health acentua que “os vegetarianos possuem uma longevidade maior e uma menor incidência de cancro quando comparados com quem come carne.”
Estas considerações são corroboradas pelos muitos estudos científicos indicando que pessoas com uma alimentação vegetariana – quando comparadas com quem come carne animal –  têm menor risco de contraírem vários problemas de saúde e apresentam menor incidência de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, vários tipos de cancro (do cólon, do colo-rectal, nos intestinos, pulmonar), falhas renais, osteoporose, asma, alergias, entre outras.
Por exemplo, os estudos do PCRM (Comité Médico para uma Medicina Responsável) mostram que a carne não é essencial para a saúde. Podem-se facilmente obter os nutrientes de que o nosso organismo necessita, incluindo as proteínas, através do consumo exclusivo de alimentos de origem vegetal. A realidade é que os omnívoros (principalmente nos países ocidentais e mais industrializados) consomem proteína em excesso, logo uma correcta alimentação vegetariana irá diminuir este excesso até níveis mais adequados ao metabolismo do organismo humano.

Os problemas de comer carne:

A carne e derivados (ovos, lacticínios) apresentam valores extremamente altos de colesterol nocivo e de gorduras saturadas. Este excesso vai-se acumulando nas paredes internas das artérias causando arteriosclerose, que conduz à hipertensão arterial, às doenças cardíacas e derrames. As doenças cardíacas são a causa de quase metade das mortes nos EUA e em muitos dos restantes países mais industrializados.
O tempo que a carne demora a fazer a digestão e passar pelo intestino é de aproximadamente cinco dias, enquanto que uma refeição vegetariana demora cerca de um dia. Quanto mais tempo o alimento em putrefação fica no intestino, maior é o risco de contrair cancro do cólon e outras doenças intestinais.
Quando se faz um churrasco, a gordura que vai pingando pode produzir um subproduto chamado Benzopireno-1, que é o principal agente causador do cancro no fumo do tabaco. O benzopireno sobe pelo fumo do carvão e adere à carne do churrasco. Assim, um pedaço de carne (900 gr) de churrasco bem passado pode conter a mesma quantidade de benzopireno que 600 cigarros. Metilcloranteno, uma outra substância relacionada com o aparecimento de cancro, é formada quando a gordura é aquecida a uma alta temperatura, seja a carne frita, cozida ou grelhada.
O nitrato de sódio e o sódio nitrito são usados como conservantes para retardar a putrefacção em todas as carnes curadas/fumadas (enchidos, presunto). Sob certas condições, os nitratos combinam-se com as aminas encontradas nas carnes e outros alimentos para formar nitrosaminas, que são consideradas pelo FDA como “um dos mais formidáveis e versáteis grupos de cancerígenos já descobertos”.
A carne requer pelo menos 3 vezes mais trabalho da parte dos rins do que os alimentos de origem vegetal. Os ovos também sobrecarregam os rins e o fígado devido ao alto teor de enxofre (além do alto teor de colesterol nocivo). Quando os rins adoecem devido à sobrecarga e à idade, os dejectos são depositados por todo o organismo e cristalizam-se nas articulações. Isso provoca a condição dolorosa da artrite, do reumatismo e da gota.
Esteróides e outras hormonas têm sido usados durante anos para aumentar artificialmente o peso dos animais de criação. Anfetaminas, tranquilizantes, antibióticos e centenas de outros medicamentos também são usados e vão passar para o organismo humano quando a pessoa ingere essa carne. Evitar o consumo de carne é um dos melhores e mais simples caminhos para reduzir a ingestão de gorduras.
As seguintes doenças são comuns em pessoas que comem carne: anemias, apendicite, artrite, cancro da mama, cancro de cólon, cancro de próstata, colesterol, prisão de ventre, obesidade, diabetes, pedras na vesícula, gota, hipertensão arterial, indigestão e outros problemas gástricos, falhas renais, varizes, asma, alergias, etc (4)

Os benefícios da alimentação vegetariana:

O organismo não pode utilizar ou assimilar a proteína no seu estado original. A proteína deve ser primeiro desdobrada nos seus aminoácidos componentes. Há 23 aminoácidos e o organismo humano produz todos excepto 8 deles. Embora todas as frutas contenham a maioria destes 8 aminoácidos, há alguns vegetais que contêm todos os oito. Eles são: bananas, cenouras, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, milho, pepino, beringela, couve-galega, quiabo, ervilha, batata, batata doce, abóbora e tomate.
Todas as nozes, sementes de girassol e de sésamo, amendoins e feijões também contêm todos os 8 aminoácidos não produzidos pelo organismo. É muito mais fácil para o organismo absorver aminoácidos desses alimentos do que das carnes. A carne deve ser cozinhada para matar as bactérias e os vermes que nela proliferam. E já que a cozedura destrói aminoácidos, é recomendado comer bastantes saladas frescas/cruas e vegetais apenas ligeiramente cozidos.
Através da digestão de alimentos e pela reciclagem dos dejectos proteícos, o organismo tem todos os diferentes aminoácidos constantemente em circulação no sangue e nos vasos linfáticos. O organismo também tem a capacidade de armazenar os aminoácidos no fígado e nas células. Quando o organismo precisa de proteína, os aminoácidos são obtidos imediatamente dessas reservas.
Não produz produtos putrefactos no intestino, evitando assim essa causa de infecções.
É uma alimentação de força e de resistência, pela abundância em hidratos de carbono, essenciais para o aporte de energia ao cérebro e para a formação de massa muscular.
Dá descanso suficiente aos rins já que não os submete ao trabalho exagerado de neutralização da toxicidade a que a ingestão de produtos animais obriga.
Vegetarianos têm 20% menos colesterol que omnívoros e isso reduz consideravelmente ataques cardíacos e cancro.
O risco de morte por ataque cardíaco nos vegetarianos, comparando com os omnívoros, é 50% mais baixo.
Estudos científicos têm demonstrado que os vegetarianos são capazes de executar testes físicos durante 2 a 3 vezes mais tempo do que os que comem carne e recuperam do cansaço em 1/5 do tempo. Existem aliás, em todo o mundo, vários atletas premiados que optaram pelo vegetarianismo ao constatarem os óptimos resultados obtidos. Bons exemplos são Carl Lewis, Edwin Moses, Martina Navratilova, Murray Rose, entre muitos outros atletas campeões em desportos que vão desde a natação, ao atletismo e ao culturismo.
Vitamina B12
Conhecida como um dos temas mais polémicos da dieta vegana (que se abstem do consumo de qualquer produto de origem animal), é uma vitamina pertencente ao chamado Complexo B que tem um papel fundamental no metabolismo. A vitamina B12 (ou cobalamina) intervém na formação de glóbulos vermelhos e ajuda no correcto funcionamento do sistema nervoso central (5)
Alguns estudiosos aceitam que, apesar da B12 já ter sido um dia abundante em vegetais, hoje em dia praticamente apenas se encontra nos produtos animais. Na realidade ela é exclusivamente sintetizada por bactérias, nem animais de grandes dimensões nem seres vegetais a sintetizam. Mas as plantas podem contê-la, desde que estejam em contacto com bactérias que a produzem, presentes no solo. Os produtos animais são ricos em B12 apenas porque os animais ingerem alimentos contaminados com essas bactérias, ou as mesmas proliferam nos intestinos. Tanto a ingestão de alimentos enriquecidos, como a suplementação de vitamina B12 têm sido recomendadas para complementar a alimentação de pessoas veganas (que não ingerem qualquer tipo de produto de origem animal)
De qualquer modo, todas as pessoas devem estar atentas ao seu estado de saúde geral e contactarem um profissional em nutricionismo, familiarizado com a alimentação vegetariana, de modo a se sentirem mais seguras quanto à sua escolha.
 Fonte: Sofia Barradas – Associação Vegetariana Portuguesa – 2007.
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