Tartarugas marinhas

Tartarugas marinhas

Foto: Monste Grillo
Foto: Monste Grillo
  •  Quem são elas?

As tartarugas marinhas são répteis e, como tal, possuem pele seca, coberta de placas, respiram por pulmões e a temperatura do corpo é regulada de acordo com a temperatura ambiente. As tartarugas marinhas possuem nadadeiras, daí a diferença entre elas e os jabutis, pois estes são terrestres e têm patas parecidas com as patas de um elefante e os cágados, que vivem na água doce, mas têm patas também, com membranas entre os dedos para facilitar a natação.

Vivem todo o tempo no mar. Somente a fêmea sai da água por um curto período de tempo, para depositar seus ovos em ninhos escavados na areia da praia. No mar se deslocam com grande agilidade e rapidez. Na terra, porém, são lentas e vulneráveis.
O casco que recobre o corpo das tartarugas tem a função de proteção contra predadores. É formado por placas córneas. A parte superior denomina-se carapaça e a inferior plastrão.
Embora tenham pulmão, as tartarugas podem permanecer muitas horas debaixo da água, prendendo a respiração. Para isso, o organismo funciona lentamente, o coração bate devagarinho, e o fornecimento de oxigênio é auxiliado por um tipo de respiração acessória, feita pela faringe e pela cloaca.
    • Onde as tartarugas marinhas desovam?

Tartarugas marinhas desovam em praias das regiões tropicais e subtropicais, portanto de clima quente, ao redor do mundo. Todas retornam para desovar nas mesmas praias onde nasceram. Cada espécie de tartaruga marinha possui seu tipo de praia preferido, embora numa mesma praia possa haver mais de uma espécie que desove ali.
    • A reprodução: como é?

O acasalamento ocorre no mar, em águas profundas ou costeiras. A fêmea escolhe um entre vários machos e o namoro começa. A fecundação é interna e uma fêmea pode realizar de 3 a 5 desovas, em cada temporada de reprodução, com intervalos médios de 10 a 15 dias entre cada desova. Em cada ninho ela deposita 130 ovos em média.
          •  A desova

Para desovar as fêmeas procuram praias desertas – no continente, entre setembro e março, e nas ilhas oceânicas entre Dezembro e Junho. Neste período as fêmeas sobem às praias, geralmente à noite, para desovar. Movem-se lentamente em direção à parte mais alta da praia, onde a maré não possa ameaçar seu ninho. Escolhido o lugar, a tartaruga cava, com as nadadeiras da frente, um buraco raso para seu corpo, chamado cama. Feito isso, a tartaruga cobre os ovos com areia, usando as nadadeiras traseiras e depois usa as nadadeiras dianteiras para jogar grande quantidade de areia sobre o ninho para disfarçá-lo. Após completar todas estas etapas, ela volta para o mar.
O nascimento dos filhotes ocorre normalmente à noite – ou no final da tarde ou ao amanhecer quando o sol está bem fraco – e para alcançarem a água, eles se orientam pela luz mais forte que, em condições normais, é proveniente do horizonte marinho.
Os filhotes são pequenos e frágeis, medindo em torno de cinco centímetros apenas. Muitos recém-nascidos são devorados por siris, aves e, principalmente, peixes. De cada mil tartaruguinhas nascidas, apenas uma ou duas vão conseguir chegar à idade adulta. Porém, depois de adultas, poucos animais podem predar as tartarugas, como por exemplo o tubarão, a baleia orca e o homem.

 

  •  Espécies que ocorrem na Bahia e no Brasil?

Temos cinco espécies de tartarugas marinhas no Brasil, mas apenas quatro ocorrem na Bahia.
    • Cabeçuda

Nome científico: Caretta caretta
Tartaruga Cabeçuda/Ilustração: Projeto Tamar
Tartaruga Cabeçuda/Ilustração: Projeto Tamar
O próprio nome já diz: esta tartaruga tem a cabeça proporcionalmente maior que as outras espécies, chegando a medir 25 centímetros. Encontrada na Bahia, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro, locais onde ocorrem muitas desovas desta espécie. Tem a carapaça marrom e o ventre ( parte de baixo ) amarelado, medindo 1,30m de comprimento( só o casco ) e pesando em torno de 200Kg. A alimentação é muito variada, comendo peixes, camarões, caramujos, esponjas e algas.
    • De Pente

Nome científico: Eretmochelys imbricata
Tartaruga Pente /Foto: Ilustração: Projeto Tamar
Tartaruga PenteIlustração: Projeto Tamar
Também chamada de tartaruga verdadeira ou legítima, é considerada a espécie mais bonita de todas as tartarugas marinhas. Tem a carapaça formada por placas marrom escuro com amarelo. A boca lembra um bico de gavião. A carapaça tem em média 1,10m e pesa em torno de 150kg.
A tartaruga de pente tem esse nome porque era caçada para o casco ser utilizado na fabricação de pentes e armações de óculos. Tem uma excelente capacidade para capturar animais encontrados em corais, como anêmonas, esponjas, caranguejos e ouriços.
No litoral da Bahia existe a maior quantidade de desovas da tartaruga de pente do Brasil. Juvenis desta espécie se reúnem em regiões que apresentam recifes de coral, no Nordeste e Norte do país, como no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e na reserva Biológica do Atol da Rocas.
    • Verde

Nome científico: Chelonia mydas
Tartaruga Verde /Ilustração: Projeto Tamar
Tartaruga Verde /Ilustração: Projeto Tamar
Também chamada de aruanã, esta tartaruga tem o casco castanho esverdeado ou acinzentado. Mede em torno de 1,20m de comprimento( somente o casco ) e pesa em torno de 250kg, podendo atingir até 350!
Por se alimentar exclusivamente de algas, depois que completa um ano, a gordura de seu corpo tem uma cor esverdeada. Daí o nome tartaruga verde.
Para desovar, prefere as ilhas oceânicas( mais afastadas da costa ), como por exemplo Trindade, Atol das Rocas e Fernando de Noronha. As jovens são encontradas em toda a costa brasileira.
    • Oliva
Nome científico: Lepidochelys olivacea
Tartaruga Oliva /Foto: Ilustração
Tartaruga Oliva /Ilustração: Projeto Tamar
Sua carapaça é de cor cinza esverdeada, daí o seu nome. É a menor de todas as tartarugas marinhas, medindo cerca de 60cm e pesando cerca de 65kg.
Alimenta-se de vários tipos de organismos marinhos, principalmente camarões, plantas aquáticas e peixes. No litoral de Sergipe existe hoje o maior número de fêmeas dessa espécie no Brasil. Na Bahia também ocorre desova, mas em menor número.
          • Gigante ou de Couro ou Negra
Nome científico: Dermochelys coriacea
Tartaruga de couro /Foto: Ilustração
Tartaruga de couro / Ilustração: Projeto Tamar
Esta tartaruga é conhecida como gigante pelo tamanho que pode atingir: 2,5m de carapaça e pesar cerca de 800kg! Também conhecida como “tartaruga de couro” por possuir um casco bem diferente das outras tartarugas, formado por um tecido mole porém muito resistente, parecido com um couro. A principal área de reprodução desta espécie é ao norte do Espírito Santo onde pouquíssimas fêmeas sobem as praias para desovar. Esta é a espécie de tartaruga marinha mais ameaçada no Brasil.

 

  • Ameaças à sobrevivência das tartarugas marinhas

As tartarugas marinhas, que vivem sobre a Terra há tanto tempo, estão perigosamente ameaçadas de extinção. São muitas as razões e todas elas estão relacionadas à ação do homem.
          •  Caça e coleta de ovos

Há algum tempo era comum matar tartarugas marinhas para consumir a carne e usar a carapaça para confecção de armações de óculos, pentes, cabos de escova, pulseiras, anéis, botões, jóias, entre outros. Colocava-se o casco na parede como decoração. Geralmente eram mortas as fêmeas, indefesas, quando subiam à praias para desovar. Além disso, era comum a coleta de ovos para utilização como alimento. Hoje, aqui no Brasil, todas essas praticas são proibidas por Lei, podendo o infrator ser preso, sem direito à fiança.
  • Captura acidental em redes de pesca

Tartaruga presa em uma rede de pesca/Foto: National Geografic
Tartaruga presa em uma rede de pesca/Foto: National Geografic
Muitas vezes a tartaruga fica presa por acidente em armadilhas de pesca e, sem poder respirar, desmaia. As armadilhas mais comuns são a rede de arrasto de camarão, currais-de-pesca, cercos flutuantes e linhas para pescar peixes de grande porte. Se a tartaruga permanecer assim presa por muito tempo, acaba morrendo afogada. Neste caso é imporante que o animal seja retirado o mais cedo possível da água e se use a técnica de reanimação, que consiste em colocar o animal de barriga para cima, com a cabeça um pouco mais baixa que o resto do corpo e massagear a barriga, na tentativa de retirar a água dos pulmões. Depois disso o animal deve ficar na sombra, ainda de barriga para cima, até que comece a bater as nadadeiras sobre o peito, recobrando os sinais vitais. Somente quando isso acontece é que a tartaruga marinha deve ser recolocada ao mar.

 

  • Iluminação artificial das praias

Foto: Projeto Tamar
Foto: Projeto Tamar
A ocupação do litoral, além de criar obstáculos físicos de acesso das tartarugas marinhas aos locais de desova, como muros e cercas – proibidos por lei – provoca a iluminação das praias pelas luzes dos postes e das casas. Com isso, as fêmeas que necessitam desovar naquele local passam a evita-lo, assustadas pela claridade. O mais grave é que se a desova ocorrer mesmo assim, a luz artificial atrai os filhotes para direção errada. Eles seguem a claridade mais forte das luzes artificiais e não vão para o mar. Ao nascer do dia, com sol quente, todos os filhotes morrerão com o calor, já que são extremamente sensíveis às altas temperaturas.
          •  Poluição

A poluição das praias de desova provoca o acúmulo de lixo, como garrafas, sacos plásticos, latas, entre outros, o que dificulta ou até impede a desova das tartarugas marinhas e o acesso ao Mar pelos filhotes. Além disso, sacos e outros materiais plásticos lançados ao mar, posem ser ingeridos, confundidos com águas vivas, provocando a morte do animal.
Tartaruga pente/ Foto: Carlo Leopoldo Francini
Tartaruga pente/ Foto: Carlo Leopoldo Francini
  • FONTE: Curso para Formação de Guias Ecológicos Mirins da Fundação PRÓ-TAMAR.

  • PROJETO TAMAR – TARTARUGAS MARINHAS.

Anúncios